Diálogo entre Sorp e ambulantes
A interação entre a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp) e os comerciantes ambulantes de Cuiabá vem se mostrando fundamental para a manutenção da ordem nas via públicas. Recentemente, foi realizada uma reunião que destacou a importância desse diálogo. O objetivo principal é o respeito às normas municipais que visam manter as calçadas desobstruídas, garantindo a segurança e a acessibilidade para todos os cidadãos.
Durante o encontro, a Secretária de Ordem Pública, Juliana Palhares, reafirmou que as portas se mantêm abertas para as reivindicações dos ambulantes, desde que estas propostas estejam alinhadas com as regulamentações vigentes. A função da Sorp é equilibrar os interesses dos ambulantes e o direito da população a vias públicas livres. Segundo a secretária, “o coletivo sempre prevalecerá sobre o individual”. Isso indica não apenas uma preocupação com o cumprimento das leis, mas também uma vontade de ouvir e considerar as dificuldades enfrentadas pelos vendedores ambulantes.
Por outro lado, a secretária enfatizou que o desrespeito às normas poderia levar a um retrocesso nas conquistas já realizadas. Isso se traduz em uma linguagem clara e firme, na qual as regras foram criadas para assegurar o bem comum. Assim, permanece o desafio de encontrar soluções que satisfaçam tanto os comerciantes ambulantes quanto a população em geral, refletindo a necessidade de um diálogo contínuo e produtivo.

Importância das calçadas livres
As calçadas desempenham um papel crucial nas dinâmicas urbanas. Elas são mais do que simples passagens; são espaços de convivência, segurança e acessibilidade. Manter as calçadas livres é, portanto, uma questão de saúde pública. Quando estão obstruídas por comerciantes ambulantes ou outros obstáculos, isso não só compromete a passagem de pedestres, como também pode colocar em risco a integridade física de usuários, especialmente aqueles com deficiência ou mobilidade reduzida.
Além disso, calçadas livres contribuem para a fluidez do comércio local. Estudiosos afirmam que as áreas comerciais mais bem organizadas também são aquelas que oferecem melhor circulação de pedestres. Quando as calçadas estão limpas e desobstruídas, as chances de aumentar o fluxo de pessoas que se aproximam das lojas são significativamente maiores. Em contrapartida, a ocupação irregular pode criar um ambiente hostil, desviando o consumidor e prejudicando as vendas dos próprios caminhantes.
Outro fator relevante é o aspecto visual da cidade. Calçadas desobstruídas embelezam o espaço urbano, tornando-o mais agradável tanto para os residentes quanto para os turistas. Uma cidade que se preocupa em manter suas ruas limpas e acessíveis atrai mais visitantes e pode incentivar uma cultura vibrante que valoriza a convivência social.
Propostas dos ambulantes
Na reunião entre a Sorp e os ambulantes, diversas propostas foram apresentadas. Os representantes dos vendedores, como Augusto Ferreira da Silva e Jean Bertho, expressaram suas dificuldades e sugeriram alternativas que poderiam ajudá-los a se adaptar às normas estabelecidas. Entretanto, Juliana Palhares fez questão de ressaltar que, enquanto houver descumprimento das regras, essas propostas não poderão ser analisadas.
A discussão abrange diversos pontos, dentre os quais o melhor aproveitamento de espaços alternativos e a necessidade de ajustes nas áreas comerciais. Os ambulantes indicaram que algumas regiões da cidade são menos favoráveis à venda e propuseram que a Sorp avaliasse a possibilidade de realocação para locais onde a dinâmica comercial seja mais favorável. A ideia é que, ao invés de insistir em pontos não apropriados, eles pudessem encontrar novos espaços dentro dos limites da legalidade.
No entanto, o desafio continua sendo a adaptação conjunta. É necessário que os ambulantes tenham a certeza de que suas vozes são ouvidas. A Sorp, por sua vez, deve garantir que suas ações sejam informadas por essas sugestões, desde que respeitem as diretrizes do espaço urbano e do comércio cívico. Esse tipo de colaboração é essencial para um desenvolvimento harmônico na cidade.
Fiscalização contínua
A fiscalização de calçadas e espaços públicos é uma medida indispensável para assegurar que as normas sejam cumpridas. A Sorp possui a responsabilidade de monitorar ativamente as áreas comerciais e agir em caso de irregularidades. A continuidade desse trabalho é imperativa, já que a presença de fiscais nas ruas pode desencorajar a ocupação indevida das calçadas.
Recentemente, operações de fiscalização foram realizadas na Rua 13 de Junho, onde foram apreendidas mercadorias de ambulantes que não estavam em conformidade com as normas. Estas ações, que contam com o apoio da Polícia Militar, são uma resposta necessária à insistência de alguns ambulantes em ocupar os espaços indevidamente. Além disso, destacam a determinação da Sorp em manter a ordem pública em Cuiabá.
A fiscalização não deve ser vista apenas como um mecanismo punitivo, mas também como um aspecto educativo para os comerciantes ambulantes. Através de abordagens orientativas, o objetivo é instruí-los sobre as normas e os impactos de suas ações na comunidade. Assim, a fiscalização assume um papel educativo, promovendo a conscientização sobre o uso responsável dos espaços públicos.
Desafios enfrentados pelos comerciantes
Os comerciantes ambulantes enfrentam inúmeros desafios em seu cotidiano. Um dos mais significativos é a competição acirrada, não apenas entre os próprios vendedores, mas também com lojas fixas. Muitas vezes, a localização em que um ambulante pode se estabelecer não proporciona um fluxo adequado de clientes, levando a vendas abaixo do esperado.
Esse cenário é uma realidade frequentemente mencionada pelos representantes da categoria. Enquanto tentam se adaptar às regras e buscar novos pontos de venda, eles se deparam com dificuldades logísticas e de infraestrutura que podem tornar sua atividade inviável. A falta de acesso à água potável, energia elétrica e até mesmo instalações sanitárias são apenas alguns dos problemas que esses comerciantes enfrentam diariamente.
Outro ponto crítico é a necessidade de regularização. Muitos ambulantes ainda operam sem o cadastramento adequado, o que os torna vulneráveis a ações de fiscalização. A falta de documentação pode resultar em apreensões e multas, aumentando a insegurança em relação à continuidade de seus negócios. Nesse sentido, é essencial que as autoridades ajudem os ambulantes a regularizarem sua situação, facilitando o acesso a informações sobre como se cadastrar e se manter dentro da legalidade.
Impacto do comércio ambulante
O comércio ambulante é um pilar importante da economia urbana em Cuiabá. Ele não apenas proporciona uma fonte de renda para muitos cidadãos, mas também contribui para a diversidade cultural e econômica da cidade. Os ambulantes oferecem produtos que, frequentemente, são difíceis de encontrar em lojas convencionais, aumentando a variedade de opções disponíveis para os consumidores.
Além disso, o comércio informal tem a capacidade de rapidamente atender às demandas e expectativas do público. Durante eventos, feriados e datas comemorativas, os ambulantes costumam captar a necessidade de um consumo mais imediato, ajustando rapidamente suas ofertas para atender a um maior número de clientes. Isso torna a presença deles essencial em várias ocasiões.
A relevância do comércio ambulante vai além do aspecto econômico. Ele também é um reflexo da cultura local. As barracas e quiosques representam tradições e sabores regionais, proporcionando uma experiência única aos visitantes e moradores. Assim, o comércio ambulante se torna um elemento vibrante da identidade de Cuiabá.
Regulamentação das calçadas
Um dos principais focos das discussões na reunião entre a Sorp e os ambulantes foi a regulamentação do uso das calçadas. É vital que haja um conjunto claro de normas que posicione todos os atores — tanto os vendedores quanto os consumidores e a administração pública — de maneira transparente e justo.
A regulamentação envolve não apenas a proibição da ocupação indevida, mas também a definição de áreas específicas para a atuação dos ambulantes. É essencial que as diretrizes sejam compreensíveis e de fácil acesso, permitindo que todos os comerciantes possam se adaptar a elas.
Além disso, a criação de um sistema de cadastramento acessível pode facilitar a regularização desses trabalhadores. Programas de capacitação e conscientização também podem ser integrados a essa regulamentação, promovendo uma cultura de respeito às leis e à convivência harmônica entre diferentes tipos de comércio.
Apoio da Polícia Militar
O apoio da Polícia Militar tem sido um elemento-chave nas operações de fiscalização relacionadas à ocupação das calçadas em Cuiabá. A presença da polícia nas ações permite não apenas o cumprimento das normas, mas também traz um senso de segurança aos cidadãos e aos próprios ambulantes.
A cooperação entre Sorp e a Polícia Militar é um exemplo da necessidade de um esforço conjunto para lidar com questões de ordem pública. Os policiais auxiliam na mediação de conflitos, promovendo um ambiente onde o diálogo pode acontecer de forma mais produtiva. Isso é essencial para que as decisões tomadas não sejam simplesmente impositivas, mas envolvam a participação e o entendimento mútuo entre todas as partes.
Ademais, a comunicação eficaz entre a Sorp e as forças de segurança garante que todos estejam na mesma página sobre como lidar com situações que podem surgir em campo. Essa sinergia é fundamental para assegurar um ambiente respeitoso e organizado, tanto para os ambulantes quanto para a população.
Notificações e orientações
Desde maio de 2025, a Sorp já havia implementado um amplo programa de notificações, alertando os ambulantes sobre a necessidade de desocupar as calçadas. Essas notificações são parte de um esforço contínuo para garantir que as regras sejam cumpridas e que haja clareza sobre as consequências do descumprimento.
Juntamente com as notificações, foram promovidas orientações sobre como se adaptar às novas exigências. Isso inclui informações sobre o processo de realocação para o Shopping da Orla, que se propõe como uma alternativa viável para muitos comerciantes. O cadastramento nesse espaço deve ser incentivado como uma maneira de proporcionar um ambiente de vendas mais seguro e regulamentado.
Entretanto, é fundamental que essa comunicação continue sendo eficaz. A Sorp deve buscar formas de manter os ambulantes informados e esclarecidos sobre suas responsabilidades legais, facilitando também orientações sobre possíveis alternativas de trabalho. Essa estratégia deve ser uma prioridade, pois a compreensão das regras é essencial para que o comércio ambulante opere de maneira organizada e respeitosa.
Futuro do comércio ambulante em Cuiabá
O futuro do comércio ambulante em Cuiabá depende de um equilíbrio entre a regulamentação e a flexibilização das regras. A cidade tem demonstrado um compromisso em buscar soluções que beneficiem tanto os ambulantes quanto a população em geral. A gradual adaptação e normalização das práticas comerciais são passos importantes para garantir um crescimento sustentável neste setor.
Investir em programas de capacitação e em ofertas de espaços adequados para os ambulantes pode ser uma forma de maximizar os benefícios econômicos que esse comércio pode trazer. As revisões das normas e a busca por novas áreas que sejam menos conflitantes poderão proporcionar uma convivência amigável e próspera.
Por fim, a promoção de um ambiente onde o diálogo é priorizado é essencial. A construção de parcerias entre os ambulantes e os órgãos governamentais permitirá que desafios sejam enfrentados de forma conjunta. Com isso, será possível encontrar soluções que beneficiem toda a sociedade, tornando Cuiabá uma cidade mais ordenada e harmoniosa.


